A INSPIRAÇÃO
O nome vem do kouros, a estatuária grega arcaica: figuras masculinas nuas, de pé, com um pé à frente, que parecem prestes a entrar em movimento. Yves Saint Laurent voltou de uma viagem à Grécia — inclusive ao templo de Poseidon em Súnio — impressionado pelo azul do mar e pelo esplendor da escultura, e pediu um perfume que traduzisse aquilo. O mote publicitário da época resumia a ambição: um perfume para deuses vivos.
A FRAGRÂNCIA
Um fougère aromático de carga animálica rara hoje. A abertura de aldeídos, coentro, sálvia esclareia, artemísia e bergamota é amarga e cintilante. No coração, patchouli, cravina, vetiver, jasmim, gerânio, raiz de íris, canela e lavanda constroem um centro denso e especiado. No fundo é que ele se define: civeta, almíscar, couro, mel, musgo de carvalho, âmbar, fava tonka e baunilha. Um contraste entre limpo e sujo que praticamente não se fabrica mais.
O PERFUME MAIS DIVISIVO JÁ FEITO
Kouros é provavelmente o masculino que mais divide opiniões na história da perfumaria. Os admiradores descrevem a base como um cabo de guerra entre higiene e mau comportamento; os detratores a comparam a produto de limpeza. Não existe meio-termo, e é exatamente por isso que ele atravessou quatro décadas em catálogo.
O FRASCO
Branco, opaco e maciço, de linhas austeras e colunares — uma estilização de coluna de mármore grego, coerente com a referência à estatuária. As edições antigas se identificam pelo ombro prateado.
O AUTOR, E AS REFORMULAÇÕES
Pierre Bourdon assina outros marcos do gênero, entre eles Cool Water e Féminité du Bois, e é filho do perfumista René Bourdon. Como quase todo clássico da era anterior às restrições da IFRA, Kouros sofreu reformulações que a comunidade compara desfavoravelmente ao original. Ganhou flankers como Kouros Fraîcheur e Body Kouros.