Dior Homme é, desde 2005, o perfume que colocou a íris no centro de uma masculina de grande distribuição — uma audácia na época. Esta versão Parfum é a leitura mais densa e nobre da linha: concentra a íris assinatura numa base de couro e madeiras preciosas, criando uma fragrância de presença grave, feita para a noite e para quem ocupa o espaço com discrição firme.
A abertura traz a íris da Toscana, aveludada e empoada, ao lado da laranja italiana que ilumina. No coração, o couro se entrelaça à rosa numa tensão masculina e elegante. O fundo é profundo: sândalo do Sri Lanka cremoso, ambreta, oud e cedro — as madeiras que dão peso, calor e longa permanência. Não é a leitura fresca do eau de toilette: é o registro mais escuro e denso da família.
POR QUE A ÍRIS É TÃO CARA
O que a Dior usa não é a flor, é o rizoma da Iris pallida, cultivada nas colinas entre Florença e Siena. Colhido, lavado e guardado em local fresco por três a cinco anos, ele passa por uma transformação química lenta: moléculas inodoras se convertem em ironas, os compostos que dão o cheiro característico. Do plantio ao material utilizável passam-se seis a oito anos, e uma tonelada de rizoma rende cerca de dois quilos de manteiga de íris. O absoluto de alta qualidade pode ultrapassar cem mil dólares por quilo — mais caro que ouro por peso.
O Dior Homme original é de Olivier Polge, em 2005, que depois foi para a Chanel. François Demachy assumiu a criação da Dior a partir de 2006 e assina esta versão Parfum, além das reformulações de 2011 e 2020. Desde outubro de 2021 quem dirige a criação de perfumes da casa é Francis Kurkdjian. Vale saber: em 2020 Demachy retirou a íris do eau de toilette em favor de cedro e madeira cashmere, decisão que dividiu o público — a versão anterior foi rebatizada Dior Homme Original e mantida em catálogo.