❖A INSPIRAÇÃO
A casa descreve Preludio como a emoção da descoberta: um jogo entre calor e brisa, entre mares esmeralda e ventos misteriosos vindos do leste. O texto oficial diz que a fragrância parte das memórias de mar do perfumista e da história das viagens de Alvise Gritti pelas costas do Império Otomano — Alvise era filho de Andrea Gritti, o 77º Doge de Veneza, e nasceu em Constantinopla, onde o pai passou cerca de vinte anos como mercador e representante veneziano na corte otomana.
❖A FRAGRÂNCIA
A Gritti traduz a memória de Veneza em suas composições, e Preludio entrega o ar da laguna: salino, verde e luminoso. A lavanda francesa dá a espinha aromática, a melancia acrescenta um frescor aquoso incomum e o pinho traz resina. O toque de tabaco no coração é o detalhe que distingue este perfume dos frescos genéricos, adicionando uma camada seca e adulta. Eau de parfum de primavera e verão, de dia.
❖MATERIAIS INCOMUNS PARA UM FRESCO
A fórmula chama atenção justamente por ir buscar matérias-primas que não se espera num perfume desta categoria: algas marinhas, âmbar cinzento e borragem convivem com lavanda francesa, limão siciliano, pinho e tabaco. É o que os resenhistas descrevem como uma leitura atípica do fresco — e o que faz Preludio soar mais adulto que a média.
❖O PERFUMISTA E O FRASCO
As fórmulas da casa são de Luca Gritti, químico de formação e perfumista autodidata, descendente direto da família veneziana dos Gritti: recusou a perfumaria aos 23 anos para trabalhar como consultor financeiro e voltou ao negócio da família aos 30, em 2010, criando a marca de nicho. Ele viaja pessoalmente para selecionar as matérias-primas. O frasco é de vidro pesado, com enchimento manual e tampa feita à mão; Preludio pertence à Black Collection, a linha que a casa define como a dos perfumes ousados e misteriosos.