A INSPIRAÇÃO
Fleur d’Oranger 27 é um soliflore quase fotográfico: a proposta é reproduzir o cheiro da flor ainda na árvore, e não uma versão adocicada e romantizada dela. Para isso a fórmula usa praticamente toda a laranjeira menos a fruta — pétalas, folhas, galhos e ramos, via petitgrain. O resultado é uma flor de laranjeira verde, limpa e mediterrânea, mais próxima de um passeio por um pomar em floração do que de um floral tradicional.
A FRAGRÂNCIA
Um floral de leitura direta e luminosa. A abertura reúne flor de laranjeira, bergamota e limão. No coração, a flor e o petitgrain se sobrepõem e dão aquele verde amargo característico do ramo. O fundo é discreto, amadeirado e almiscarado. Vinte e sete ingredientes para uma única imagem — e é isso que torna o exercício interessante.
O NÚMERO NO NOME
O número no nome não é decorativo: pela convenção da casa, ele indica a quantidade total de ingredientes da fórmula, e a palavra que o antecede nomeia a matéria-prima principal. A Le Labo foi fundada em 2006, em Nova York, por Fabrice Penot e Eddie Roschi, e comprada pela Estée Lauder em 2014.
O RITUAL DA CASA
O ritual é o mesmo em toda a casa: o perfume é composto na hora, diante do cliente, por técnicos que a Le Labo chama de souls, em cerca de dez minutos. O frasco é de vidro transparente, de linha de farmácia, e recebe um rótulo adesivo personalizado com até 23 caracteres — normalmente o nome de quem compra — além da data em que foi feito. A casa recomenda deixar o líquido macerar de duas a oito semanas antes do uso.
A AUTORA, E O PAR ÓBVIO
Françoise Caron nasceu em Grasse em 1949 e se formou na escola Roure Bertrand Dupont, numa época em que havia pouquíssimas mulheres na profissão. É dela o clássico Eau d’Orange Verte da Hermès, de 1979. Esta referência é sempre comparada ao Neroli 36 da própria casa: as duas partem da mesma árvore, mas de extrações e leituras diferentes.