A INSPIRAÇÃO
É o primeiro perfume masculino da casa, de 1973 — vale a precisão: a maison já havia estreado na perfumaria em 1969 com o feminino Calandre, e a casa de moda fora fundada em 1966. Assinado por Jean Martel, é um fougère aromático de manual, o perfil verde e de barbearia que definiu o masculino dos anos 1970 e que até hoje rende ao perfume o apelido carinhoso de colônia de pai.
A FRAGRÂNCIA
Um fougère aromático clássico, daqueles que praticamente fundaram o gênero comercial. A abertura de alecrim, sálvia esclareia e pau-rosa do Brasil é verde e resinosa. No coração, lavanda, gerânio e fava tonka trazem o eixo tradicional da família. No fundo, musgo de carvalho, mel, almíscar, âmbar e tabaco dão o calor levemente animálico. A versão de época trazia ainda louro, canela, cravo e cominho no conjunto.
A ARMADURA DE METAL
Frasco de vidro de linhas retas e ombros marcados, vestido por uma aplicação metálica que funciona como uma armadura — transposição direta, para a perfumaria, das placas de metal com que o estilista montava seus vestidos nos anos 1960. A tipografia retrô impressa no frasco e na cartonagem foi mantida desde o lançamento.
MEIO SÉCULO
O perfume completou 50 anos em 2023, o mesmo ano em que Paco Rabanne morreu e em que a maison passou a assinar apenas Rabanne. São seis versões registradas ao longo do meio século; colecionadores preferem os lotes antigos produzidos na Espanha, na Itália e na França, embora a fórmula atual siga bem considerada por quem está começando na família fougère. Jean Martel é praticamente autor de obra única — este é o perfume que o define.