Zéfiro é o nome italiano de Zephyrus, o vento oeste, e a Xerjoff usa esse vento como fio condutor de um passeio noturno pelas ruas de pedra da Roma antiga. A marca diz explicitamente que quis recompor os cheiros históricos da cidade: o incenso das igrejas e as laranjeiras das ruas. Por isso o incenso é tratado como protagonista, e não como coadjuvante.
Um oriental especiado e resinoso. A abertura reúne elemi, mosto de vinho, davana, bergamota e artemísia — o mosto é um ingrediente pouco comum, e é ele que puxa o lado fermentado e resinoso do elemi. No coração, íris, canela, cravina e cardamomo constroem a especiaria quente. No fundo, incenso, mel, âmbar, oud e madeiras fecham com profundidade quase litúrgica.
A coleção XJ 1861 é o gesto mais explicitamente italiano da casa: nasceu do aniversário de 150 anos da Unificação da Itália e cada perfume amarra um lugar ou um capítulo da história do país — Renaissance fica com o Renascimento, Zefiro com Roma, Naxos com a Sicília, além do Decas. Todos saem em formato único de 100 ml.
Zefiro é um dos poucos Xerjoff com perfumista creditado publicamente, o que é raro na casa. Mathieu Nardin é de Grasse e vem de uma família de perfumistas — contou que aprendeu a gostar de cheiro colhendo jasmim e rosa nos campos dos avós. Formou-se no ISIPCA, começou na Robertet e hoje é perfumista da Mane.
A Xerjoff foi fundada em Turim por Sergio Momo e abriu em 2007 com a coleção 17/17 Stone Label. A tampa que virou assinatura da casa é de Dominique Salvo e se inspira no Deshret, a coroa vermelha do Egito exposta no Museo Egizio de Turim — a cidade onde a marca nasceu e que reaparece em vários de seus perfumes.