✦A INSPIRAÇÃO
Dahab é ouro em árabe, e o texto oficial parte da reverência das civilizações antigas pelo metal e de sua associação ao sol: um material que nunca escurece, indestrutível e ao mesmo tempo maleável, tomado como símbolo de iluminação espiritual e criatividade. A marca resume a fragrância como algo que emana riqueza luxuosa combinada com misticismo exótico — e leva a ideia até a tampa, onde estão gravados, em caligrafia árabe, oito nomes diferentes para o ouro.
✦A FRAGRÂNCIA
A Kajal trabalha na fronteira entre a perfumaria francesa e a do Golfo, e Dahab mostra bem essa mistura: a abertura é um frutado ocidental limpo, de maçã Granny Smith e bergamota, mas a base amadeirada e ambarada tem a densidade e a permanência típicas do Oriente Médio. O maracujá do coração acrescenta suculência tropical, o cedro e o coentro dão estrutura. Luminoso e de fácil uso, para a primavera e o verão, do dia à noite.
✦O FRASCO
Frasco quadrado de vidro pesado e transparente, que deixa ver o líquido âmbar. A tampa é o elemento de assinatura: uma peça geométrica dourada em forma de estrela de oito pontas — o Khatim da arte islâmica, que a marca associa a equilíbrio e ordem divina — com os oito nomes árabes do ouro gravados em caligrafia. O desenho é descrito como inspirado num azulejo de pasta de pedra do período ilcânida, na Pérsia. Caixa preta e dourada.
✦OS PERFUMISTAS
O crédito é dividido entre Rosendo Mateu e Christian Carbonnel. Mateu, espanhol, entrou na Puig em Barcelona com 15 anos e passou cerca de quatro décadas na empresa, onde assinou o Agua Brava, o Quorum, o 212 Men e o CH da Carolina Herrera e o Black XS da Paco Rabanne; recebeu o título de Maître Parfumeur em 2010, um dos poucos da Europa, e morreu em 2022. Carbonnel é diretor da espanhola Carbonnel e herdeiro de uma das famílias históricas do setor.